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Diante da grande importância socioeconômica e alimentar da cultura do feijão para todos os segmentos da população do nosso País, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, desde a sua criação nos anos 70, vem desenvolvendo programas de pesquisa de melhoramento genético para disponibilizar ao mercado cultivares adaptadas às diferentes condições de clima e solo do Brasil.

Em 1974, a Embrapa criou o Centro Nacional de Pesquisa de Arroz e Feijão, hoje Embrapa Arroz e Feijão, localizada em Goiânia, Goiás, e, posteriormente, outras Unidades de Pesquisa da Empresa também assumiram a responsabilidade de expandir os programas de melhoramento do feijão para atender as mais diferentes realidades brasileiras.

Diversas formas de feijão são cultivadas no mundo inteiro, mas poucos povos souberam tirar tanto proveito desse alimento como o brasileiro. Essa iguaria está presente na culinária dos nossos vinte e sete estados, principalmente junto com o arroz, mas também com as carnes, na forma de sopas, caldos, baião de dois, acarajé, feijão-tropeiro, dobradinha, salada, guisado, ensopado, feijoada, tutu à mineira e em muitos outros pratos.

Feijão é o nome genérico para um grande grupo de plantas da família das leguminosas (Fabaceaes), que tem como característica marcante a ocorrência do fruto do tipo legume, também conhecido como vagem. Na alimentação, o feijão é rico em nutrientes essenciais como proteínas, ferro, cálcio, vitaminas (principalmente do complexo B), carboidratos e fibras.

Embora esse alimento seja conhecido pelo nome comum de feijão, nem todas as plantas são da mesma espécie. Entre a família das leguminosas, as principais espécies de feijão cultivadas no Brasil são Phaseolus vulgaris – feijão comum do grupo carioca, do preto ou do especial; Vigna unguiculata – também conhecido como feijão-caupi, vigna, feijão-da-colônia, feijão-da-estrada ou feijão-de-corda; e o Cajanus cajan – feijão-guandu, andu ou ervilha-de-pombo.

Hoje, a Embrapa conta com ampla variedade de cultivares desenvolvidas para as diferentes condições de clima e solo do País. Selecionamos alguns materiais que estão disponíveis no momento para os produtores de sementes e de grãos, que apresentam ótimas características agronômicas, econômicas e culinárias.

 

historia feijao

Cultivares de feijão carioca

BRS Pontal – tem ciclo normal (85 a 95 dias), alto potencial produtivo (4.270 kg/ha) e plantas de porte prostrado. Apresenta resistência ao Mosaico Comum e Antracnose; resistência intermediária ao Crestamento Bacteriano, Fusarium e Ferrugem. É indicado para os estados de Goiás, Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Sergipe, Bahia, Alagoas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

BRS Requinte – feijão de ciclo normal, potencial produtivo de 3.830 kg/ha, e arquitetura de planta semiereta. Tem como vantagem o longo período de manutenção da coloração clara do grão. Apresenta resistência ao Mosaico Comum e intermediária resistência à Antracnose e ao Fusarium. É indicado para os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Sergipe, Bahia, Alagoas, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

Pérola – possui ciclo normal, potencial produtivo de 3.900 kg/ha e porte semiprostrado. Tem resistência ao Mosaico Comum e intermediária resistência à Mancha Angular e ao Fusarium. É recomendado para os estados de Goiás, Distrito Federal, São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Sergipe, Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte, Rondônia, Acre, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

BRS Notável – tem ciclo semiprecoce, potencial produtivo de 4.470 kg/ha, estabilidade de produção e arquitetura semiereta – adaptado para a colheita mecânica. Apresenta resistência à Antracnose, ao Crestamento Bacteriano Comum e à Murcha de Curtobacterium e de Fusarium. É indicado para os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro e Tocantins.

BRS Ametista – tem ciclo normal (85 a 94 dias), potencial produtivo de 4.265 kg/ha, arquitetura semiereta (adaptada apenas à colheita mecânica indireta) e grãos maiores que a cultivar Pérola. Resistência à Antracnose, Murcha do Fusarium e Crestamento Bacteriano comum. É indicada para os estados de Goiás, Distrito Federal, Bahia, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Maranhão, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Piauí.

Cultivar de feijão preto

BRS Campeiro – tem ciclo semiprecoce (75 a 85 dias) com alto potencial produtivo (4.230 kg/ha), excelente qualidade culinária e porte ereto – o que facilita a colheita mecânica. Apresenta resistência ao acamamento e ao Mosaico Comum e intermediária resistência à Ferrugem e Fusarium. Indicada para os estados do São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Sergipe, Pernambuco, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia.

Cultivar de feijão especial

BRS Agreste (mulatinho) – feijão de ciclo semiprecoce, com potencial produtivo de 3.250 kg/ha e arquitetura ereta – adaptado à colheita mecânica. Tem resistência ao Mosaico Comum, intermediária resistência ao Fusarium e indicação para os estados de Goiás, Distrito Federal e Sergipe.

Cultivares de feijão-caupi (vigna)

BRS Tracuateua (purificada) – tem ciclo variando entre 65 e 70 dias, potencial produtivo de 1.820 kg/ha e porte prostrado (não costuma formar grande volume de ramos). Os grãos são de cor branca, grandes, em forma de rim e com tegumento levemente enrugado. É moderadamente resistente ao Mosaico-severo, ao Mosaico-dourado e moderadamente tolerante às altas temperaturas. Recomendada para o estado do Pará.

BRS Guariba – Possui ciclo de aproximadamente 70 dias, crescimento indeterminado, planta de porte semiereto, grão de coloração branca, com teor de proteína na faixa de 22% e tamanho médio. Além disso, apresenta resistência ao acamamento (tem ramos relativamente curtos), ao mosaico transmitido por pulgão e ao mosaico-dourado. É moderadamente resistente ao oídio, à mancha-café, moderadamente tolerante à seca, às altas temperaturas e adaptado à colheita mecânica com uso de dessecante. Indicado para cultivo de sequeiro nos estados do Piauí e Maranhão, onde apresentou uma média de produtividade de 1.475 kg/ha no Piauí e de 1.508 Kg/ha no maranhão.

BRS Novaera – Tem ciclo que varia 65 e 70 dias, maturidade mais uniforme, porte semiereto, produtividade média de 1.100 kg/ha, potencial produtivo de 1.830 kg/ha (resultados obtidos no Amazonas) e grãos de coloração branca, grandes e em forma de rim. Apresenta alta resistência a Mancha Café e moderada resistência ao Mosaico Dourado. É recomendado para cultivo nos estados do Pará, Roraima, Amapá, Rondônia, Amazonas, Maranhão, Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul.

Informações sobre aquisição de sementes

As informações sobre a aquisição de sementes podem ser acessadas por meio do endereço da Página de Negócios de Cultivares: http://snt.sede.embrapa.br/produtos/index/

 

Mercado de feijão – O Brasil é o maior produtor de feijão comum (Phaseolus vulgaris) do mundo, seguido da Índia e da China. De acordo com o Balanço de Oferta e Demanda da Conab, na safra 2010/2011, o Brasil consumiu 3,6 milhões de toneladas de feijão e produziu 3,8 milhões de toneladas. Os estados do Paraná, Minas Gerais e Bahia são os principais produtores desse cereal, o que corresponde a quase 50% da produção nacional.

Texto
Lucas Tadeu Ferreira (MTb-DF 3032 e Conrerp-DF 620) e Isaac Leandro de Almeida.
Embrapa Transferência de Tecnologia
Gerência de Promoção Tecnológica
E-mail: isaac.leandro@embrapa.br
Fone: (61) 3448-1824

 

 

Data de publicação: 20/03/2012

 

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