De todos os bandidos terríveis que atacam o coração, o mais famoso é mesmo o colesterol. Está na boca de qualquer pessoa, quando vai chegando naquela fronteira do perigo, ali pelos 40 anos, momento de avaliar os desgostos do passado, as derrapadas da vida, e o que dá para consertar ou melhorar daqui para frente.

É a hora do checkup, de checar o colesterol, repensar a dieta, rever as escolhas, tentar a virada na carreira…

No mundo ideal, este é o momento para tentar ser uma pessoa melhor. Cortar calorias, entrar na academia, dar uma geral no cabelo, no guarda-roupa, nos cosméticos… Ou é sua mulher quem tomou a feliz decisão de se cuidar, e você sente que alguma surpresa pode vir por aí. Melhor prevenir. A idéia do tempo passando esquenta as decisões. Uma chapa quente que faz a gente se mexer, algo tem de ser feito. Acontece que, por tantas razões da vida, o mundo raramente é o ideal. E a gente adia a consulta, adia a viagem, adia o romance, adia a caminhada, adia a saúde. Quando vem um infarto, todo mundo bota a culpa, quase sempre, “no colesterol alto”. É uma razão, sem dúvida, mas não é a única.

Depois de tudo, você vai ao médico e ele pede os exames, todos essenciais, mas o que preocupa o paciente com a consciência pesada, ainda é só o colesterol. Está alto, doutor? Então, vou ter outro infarto? Antes de ouvir a resposta dele, suas dúvidas já levaram você para bem longe. Para a terra das fantasias.

Fantasia nº 1: Colesterol alto é atestado de fim de vida. Daqui para frente, só ladeira abaixo.
Na real: O colesterol, feito personagem de filme de ação, pode ser mocinho (HDL) ou vilão (LDL).

Somam-se os dois, chega-se à medida ideal para a saúde. Muita gente olha só o resultado final e, claro, se engana. O colesterol alto, em geral, é acima de 200, mas olhe a tabela deste capítulo para entender o que acontece. Se o mocinho, o HDL, for o mais alto dos dois, tudo bem com sua saúde. Em compensação, se a taxa de colesterol total for baixa, não significa que seus problemas

acabaram. Se ainda assim o mau LDL estiver mais alto que o bom, está na hora de mudar seus hábitos. NÃO DESANIME: SE VOCÊ SE CUIDAR, NÃO CORRE RISCOS DE TER OUTRO PROBLEMA CARDÍACO.

Fantasia nº 2: Se todo dia de manhã eu tomar suco de berinjela com laranja, o colesterol abaixa rapidinho.
Na real: Berinjela é ótimo, laranja, idem, o suco pode ficar gostoso. Mas não há nenhuma comprovação científica de que a beberagem vai reduzir o nível do seu colesterol. O que reduz mesmo é seguir uma dieta equilibrada e saudável, com poucas gorduras, e fazer exercícios regularmente.

Fantasia nº 3: Não estou gordo, o peso está OK, nem preciso fazer exame de colesterol.
Na real: Estar acima do peso indica que há uma grande chance, sim, de seu colesterol estar alto – mas nem sempre é assim. Um dia desses, você vai conhecer um gorducho que come torresmo até no café-da-manhã, se orgulha de nunca ter provado alface e tem colesterol nos padrões ideais. É uma exceção, alguém que ganhou na loteria da saúde. Por outro lado, magros e jovens aparentemente sem problemas clínicos podem apresentar colesterol altíssimo – aí entram fatores genéticos e até o estresse, como vimos no capítulo anterior. Sorte no peso, azar no coração.

Fantasia nº 4: Se eu virar vegetariano, o colesterol vai ficar perfeito.
Na real: Vegetarianos convictos geralmente apresentam bons níveis de colesterol, é fato, não apenas porque eliminam a carne da vida, mas, sim, porque ingerem alimentos integrais, muitas fibras, verduras, frutas, e costumam evitar gorduras, frituras, açúcar branco. O problema é que quem decide cortar a carne nem sempre se lembra de compensar a necessidade de proteínas e de ingerir uma boa quantidade de soja, tofu, folhas verdes, cereais e, aí, pode ter outros problemas, como a anemia. A carne é uma boa fonte de vitamina B 12. Outro erro comum é o vegetariano se entupir de queijo, molho cremoso, creme de leite ou, então, no restaurante, pedir macarrão na manteiga, só para não comer nada com carne – tudo que grita o excesso de gorduras e acende seu colesterol.

Fantasia nº 5: Agora pode comer ovo à vontade!
Na real: O ovo não é mesmo o vilão de antes. Depois de uma longa e profunda pesquisa com milhares de homens e mulheres, uma equipe da Harvard University, nos Estados Unidos, constatou que um ovo por dia realmente não tem relação com doenças coronárias. É uma boa notícia, claro. Mas ATENÇÃO: quem já teve infarto do miocárdio, não entra nesse grupo tão afortunado e deve evitar as gemas.

Fonte: Livro Comida que Cuida 3

Data de publicação: 13/11/2009

 

1 Comentário para Infarto – Verdades e mitos sobre o colesterol

  1. eu devido ao colesterol alto tive de
    faser cirurgia no coraçao

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