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Aromas e sabores que dão um toque especial aos alimentos fazem bem ao paladar e ainda ajudam a derreter gorduras inoportunas. Seu corpo merece essas pitadas de prazer e de saúde.

Acaba de chegar do Japão um bom motivo para não dispensar o vinagre na salada. Em pesquisa publicada na renomada revista científica Journal of Food and Chemistry, estudiosos nipônicos demonstram que substâncias presentes no tempero regulam genes que controlam a eliminação de gordura pelo organismo. Essa descoberta sugere que investir nas gotas de ácido acético, o nome técnico do vinagre, é uma maneira de preservar a silhueta esbelta. “Observamos, em animais, que ele é rapidamente absorvido pelo corpo e que ameniza os efeitos maléficos do excesso de gordura”, conta Tomoo Kondo, do time de cientistas que assina o trabalho. Em outros estudos, estes com seres humanos, a equipe japonesa já havia notado que o consumo frequente do líquido influencia no peso. “O índice de massa corporal, a circunferência abdominal e os níveis de triglicérides no sangue são menores em voluntários que ingerem vinagre diariamente”, enumera Kondo.

Para os apreciadores, uma dica é optar pelas versões de vinho e de maçã, já que são consideradas mais puras. “Elas se destacam porque preservam as propriedades da bebida e da fruta até o final do processo de produção”, explica Bianca Borin, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Vinagre. Aí, além dos benefícios do ácido acético, dá para aproveitar os nutrientes dos alimentos que servem de matériaprima para o seu preparo. Outros sabores que desinflam os pneus vêm do curry e do açafrão, especiarias que estão repletas de um pigmento chamado curcumina. Assim afirmam pesquisadores da Universidade Tufts, nos Estados Unidos. “Essa substância evita a formação de vasos que alimentam o tecido gorduroso”, aponta o pesquisador Mohsen Meydani. “Ela é conhecida ainda por sua capacidade de reduzir inflamações e evitar o desenvolvimento de tumores”, lembra o especialista.

A erva-doce, uma planta que floresce principalmente em terras russas, é mais um condimento excelente para quem precisa entrar em forma — 100 gramas possuem apenas 18 calorias. “E, além de rica em vitamina C, cálcio e potássio, ela tem muitas fibras, que aumentam a sensação de saciedade”, informa a nutróloga Maria Del Rosário Alonso, da Associação Brasileira de Nutrologia.

Em solo brasileiro, também encontramos uma especiaria que pode reduzir o colesterol ruim e acelerar o metabolismo: a pimenta dedo-de-moça. Por trás do sabor picante está a capsaicina, responsável por mandar embora os perigos que a gordura em doses exageradas oferece. “Esse princípio ativo estimula a produção de uma enzima que auxilia a quebra do colesterol em moléculas menores, que se tornam mais fáceis de ser absorvidas”, afirma a nutricionista Márcia Keller, que estudou a pimenta em sua dissertação de mestrado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Assim, o corpo fica a salvo de placas de gordura nas artérias, que são um gatilho para infartos e derrames.

Se você não se arrisca de jeito nenhum na ardência de uma dedo-de-moça, comece pelos tipos mais suaves de pimenta vermelha, como a biquinho. “Ela tem pouca capsaicina, mas já é um começo para quem não está habituado ao sabor forte”, recomenda Márcia.

Quer mais opções para temperar e colorir os pratos e, de quebra, combater a obesidade? Anote: canela e gengibre. A primeira ajuda a equilibrar os níveis de insulina no organismo, a encarregada de jogar a glicose dentro das células. Isso tem relação com o apetite, já que o excesso desse hormônio no sangue dá a falsa sensação de que precisamos comer mais. O gengibre, por sua vez, aumenta a temperatura do corpo e acelera a queima de gorduras — a pimenta e a própria canela, aliás, também têm esse efeito, chamado de termogênico.

Antes de cair de boca nesses temperos, saiba que o exagero, como sempre, não vale a pena. “Nenhum alimento com princípio ativo deve ser usado por muito tempo e em grandes quantidades”, alerta a nutricionista Gilberti Hübscher, do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Assim como medicamentos, eles podem causar efeitos colaterais e até intoxicação. Outra coisa: abusar de frituras e alimentos gordurosos e, depois, compensar comendo especiarias para emagrecer não funciona. “A ingestão desses condimentos, associada a uma dieta equilibrada e à pratica de atividade física, pode reduzir a gordura corporal, mas seu uso isolado para perder peso não terá o resultado esperado”, avisa Elaine Martins Bento, presidente da Associação Paulista de Nutrição.

Paula Desgualdo da revista Saúde é Vital, ed. Abril.
Data de publicação: 09/09/2009

 

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