Não apenas na Páscoa, alimento não deve ser incentivado para prevenir obesidade precoce e desinteresse por alimentos como cereais, verduras e legumes tão difíceis de introduzir na dieta dos filhos

Durante o período da páscoa, surge um desafio  maior para os pais e educadores para controlar nas crianças o desejo pelo consumo exagerado de chocolate. Como se não bastasse, os apelos publicitários relacionando ovos e coelhinhos aos personagens infantis mais queridos do público infantil, tornam a missão praticamente impossível. Diante da crescente preocupação com o desenvolvimento precoce da obesidade, a prevenção quanto ao consumo de açúcar e gorduras deve ser considerada uma estratégia importante nos primeiros anos de vida.

Segundo a professora doutora Cláudia Carneiro Hecke Krüger, chefe do Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Paraná (UFPR), apesar de ser um alimento de alta densidade energética, rico em açúcares e gordura, o chocolate tem alguns efeitos benéficos ao organismo. Ele favorece, por exemplo, o sistema cardiovascular e em virtude de seu alto conteúdo em compostos fenólicos, o chocolate é um alimento com propriedades antioxidantes. “Por outro lado, as recomendações nutricionais para a população incentivam o consumo de alimentos ‘in natura’ e reforçam que o sal e o açúcar sejam utilizados com moderação. É recomendado também que alimentos como açúcar, café, enlatados e refrigerantes sejam evitados nos primeiros anos de vida”, destaca a professora.

A preocupação segundo a profissional tem suas justificativas. “Os primeiros anos de vida são fundamentais para o estabelecimento de hábitos alimentares saudáveis. O consumo dos alimentos acima mencionados, bem como de alimentos com teores muito elevados de açucares e gordura, pode prejudicar a qualidade da dieta”, argumenta Cláudia Carneiro. O resultado é o aumento de peso, ingestão deficiente de micronutrientes (podendo gerar anemias), e pode ainda ocasionar alergias alimentares.

Outro aspecto no consumo sem controle de alimentos saborosos na infância, como o chocolate na Páscoa, é que ele também pode ocasionar o desinteresse pelos cereais, verduras e legumes tão difíceis de introduzir na dieta dos filhos. A busca por uma alimentação livre de aditivos e toxinas, pobre em gordura e açúcares levou a dentista Jarzis Mari Angélica a mudar a rotina alimentar da família. “O objetivo é a saúde. A alimentação hoje realmente está matando as pessoas”, pondera Jarzis que, desde a gravidez do filho João Pedrom, tirou a carne vermelha, os açúcares e a farinha branca da lista de compras. “Para o nosso filho procuramos não estimular o consumo de doces e refrigerantes, buscando substitutos mais saudáveis”, diz. Hoje, com quatro anos de idade, João Pedro não come chocolate, chicletes, balas ou bolacha recheada.

E como criança não vive sem uma guloseima, o substituto encontrado na casa de João Pedro para o chocolate foi a alfarroba. Trata-se de uma vagem que, após a trituração e torrefação, resulta numa farinha, utilizada na alimentação no lugar do cacau e com amplas vantagens. Tem apenas 0,7% de gordura e um alto teor de açúcares naturais (de 38% a 45%), além de ser rica em fibras e não conter cafeína.

É de Curitiba a única empresa a industrializar a alfarroba na forma de substitutos ao chocolate no Brasil. À venda em casas especializadas, os produtos da CarobHouse vêm aos poucos sendo descobertos por portadores de doença celíaca, diabetes, pessoas com restrição à lactose, alérgicos ao cacau, com dificuldade em mebatolizar o açúcar ou que são sensíveis à ação de substâncias vasodilatadoras presentes no chocolate. “O chocolate tem seus pontos fortes e é uma paixão para grande maioria da população. Mas cresce o número de pessoas que evita o chocolate, por inúmeras razões, e a alfarroba preenche esta lacuna, com grande vantagem nutricional”, afirma a diretora comercial Eloísa Helena Orlandi.

Muito conhecida em outros países, e com várias pesquisas científicas atestando suas qualidades nutricionais, as propriedades da alfarroba vêm sendo objeto de pesquisa no Departamento de Nutrição da UFPR. Os estudos concluem que a farinha de alfarroba possui altos teores de fibras (+ de 40%) quando comparado com outras farinhas existentes no mercado, como as feitas com casca de maracujá, de milho e com farelo de casca de soja. Segundo o estudo, verificou-se que a alfarroba apresenta uma capacidade maior de retenção de água que as demais. “Esta capacidade aumentada de retenção da fibra pode indicar que a mesma propicia um maior volume do bolo alimentar e pode vir a reduzir a resposta glicêmica”, destaca a chefe do Departamento, professora doutora Cláudia Carneiro Hecke Krüger. Segundo ela, há indicativos que a farinha de alfarroba também exerça efeito de redução dos níveis de colesterol sanguíneo. Os estudos ainda não foram concluídos.

Fonte:  Novo Conceito Assessoria em Comunicação

Data de publicação: 09/04/2010

 

1 Comentário para Consumo de chocolate pelas crianças deve ser controlado pelos pais

  1. Rosani Ap. Rosa Cordeiro disse:

    Sou acadêmica do curso de nutrição da Unidade de Ensino Superior do Vale do Iguaçú, e estou fazendo meu trabalho de conclusão de curso sobre a alfarroba. Gostaria que me enviassem material sobre o assunto. Se possível, preciso o e-mail da professora Sila do Mestrado de Tecnologia de Alimentos. Obrigado.

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