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“A pimenta tem de ser de aroma e de prazer. Jamais de ardor. O tomate deve ser posto ao fogo até se transformar em caldo.” Neste trecho do livro Não Me Deixes – Suas Histórias e sua Cozinha, lançado em 2000, a escritora Rachel de Queiroz detalha como sua avó costumava fazer uma peixada na fazenda da família, no sertão do Ceará. Priorizando ingredientes naturais, os pratos da matriarca davam água na boca de Rachel. Por isso, ela deixou para a eternidade os encantos dos sabores, nas páginas desta obra prima.

Há séculos que a culinária conquista e intriga os paladares das pessoas – até das mais exigentes. Porém, de uns tempos para cá, o dia a dia corrido e as diversas opções de fast foods acabam, muitas vezes, substituindo o consumo de uma alimentação balanceada. Tanto que especialistas são enfáticos em dizer que a nova geração não tem costume de ingerir ingredientes saudáveis. A não ser com muita insistência dos pais.

“Infelizmente, os alimentos ricos em gordura e açúcar atraem mais o paladar, por isso é importante ter hábitos de consumo saudáveis desde pequenos”, afirma a médica nutróloga Sandra Lucia Fernandes, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). E ela vai adiante: a dificuldade de adaptação é maior conforme a idade aumenta.

Atenção aos temperos

Uma boa dica para quem tem filho pequeno é levá-lo à feira ou ao mercado. “Conte a história dos alimentos, mesmo que seja inventada, para estimular a imaginação dele”, ressalta a nutricionista. Dessa forma, aos poucos, dá para desestimular a crença de que alimentos saudáveis não têm gosto.

Diga-se de passagem, esse conceito está errado. Prova disso são os restaurantes Dona Lucinha, em São Paulo e Minas Gerais, que levam o carinhoso apelido da chef da casa, Maria Lucia Clementino Nunes, de 78 anos. Especialista em cozinha mineira – que é considerada uma das vertentes mais “gordas” do país, por causa da sua comida “encorpada” –, dona Lucinha garante que apoia suas receitas no conceito de “comida leve”. Para tirar a gordura retida nos assados, por exemplo, ela ferve a carne em cachaça e limão. “É uma tradição afroindígena que deixa os pratos bem digestivos e leves”, ressalta.

A base de todo o cardápio, segundo ela, é “muito alho refogado, cebola, salsinha, cebolinha e sal”. “É o perfeito encontro de amor na panela, porque esses ingredientes deixam a comida bem mais saborosa.” Para quem gosta, coentro também vai como uma sugestão.

As cores dos legumes também podem ser usadas como atrativo a fim de melhorar os paladares não tão acostumados a ingeri-los nas refeições. Para conservar melhor a tonalidade, a chef ensina a dar um choque de resfriamento neles depois de cozidos. Basta colocar por alguns segundos debaixo de água fria corrente. Mas, se mesmo assim não der certo, a nutricionista Sandra acha que dá para disfarçar os legumes e verduras misturando-os no arroz com feijão ou fazendo uma lasanha de espinafre, entre outros. Basta usar a criatividade.

O tempero pode ser uma ótima alternativa também para quem não gosta de saladas. Molhos à base de ervas, iogurtes ou, como ensina dona Lucinha, uma mistura de cheiro verde, salsa, cebolinha com limão vermelho dão um toque pra lá de especial nesses pratos. E que tal um toque de decoração quando a receita estiver pronta? Sandra garante que a iniciativa atrai tanto crianças como adultos.

Fonte: Portal Vital

Data de publicação: 10/08/2010

 

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